domingo, 8 de junho de 2014

Conversa com a Daniela

Em uma tarde de abril, me reuni com alguns integrantes do Coletivo Fila, com alguns estudantes de jornalismo e com a Daniela. Para mim, era uma parte do trabalho de Psicologia Social II, sobre instituições; para os estudantes de jornalismo, era um projeto de documentário; para o Coletivo Fila, era a concretização da ideia de dar voz ao sofrimento das mães de adolescentes internados na FASE; para Daniela, era uma oportunidade de desabafar. Nas palavras dela: "Eu vim aqui pra contar a outras mães o que eu passei, e também a vocês, jovens, pra conhecerem a minha história.".

E o que tudo isso se relaciona com Movimentos Sociais? Bom, quase nada, a não ser uma frase da Daniela que me chamou muito a atenção: "Quando ele [o filho] sair de lá [da FASE], vai ter essa história pra gritar para o mundo [das vivências na internação]. É como vocês, quando fazem manifestações contra o aumento das passagens. Ele vai ter essa história pra gritar.". Essa frase me fez pensar o quão distante estão as reivindicações dos "estudantes universitários" da realidade vivida por boa parte da população, inclusive daqueles que se beneficiam das conquistas desses movimentos. Ela não vê o preço da passagem como uma demanda dela, ainda que se desloque apenas de ônibus, mas "nossa". A demanda dela é ser ouvida, é ter segurança, é ter a liberdade do filho.

Isso me fez refletir sobre a necessidade de diálogo e de construção conjunta de pautas e soluções. Os movimentos sociais por vezes se dissociam da base em nome da qual militam, perdendo a representatividade das demandas.

Alguns diriam que Daniela é alienada ou oprimida. Eu penso de outra forma: ela não se sentirá contemplada por pautas que influenciam financeiramente na sua vida enquanto não lhe forem asseguradas as necessidades básicas de segurança, atenção e bem-estar. E assim seguimos: "nós" a lutar "por todos" e ela a lutar sozinha...

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