Esta foi a pergunta que norteou as discussões da última noite de palestras da VI Semana de Direitos Humanos do SAJU/UFRGS. O encontro foi organizado pelo Grupo de Mediação, do qual faço participo.
A primeira palestrante foi a professora de Direito Roberta Baggio, que falou sobre as mobilizações e a violência.
Sua fala iniciou pela caracterizou a simbologia das Manifestações de Junho para o contexto brasileiro. Depois da redemocratização, houve no Brasil apenas uma grande manifestação popular na época do impeachmant do Collor. Este nova onda de mobilizações vai ficar pra história, como uma luta pelo reconhecimento de novos direitos. É também um reflexo da melhoria da condição econômica das pessoas e da conscientização acerca dos direitos, ainda que não haja uma pauta uníssona entre os manifestantes.
Passou, então, à reflexão das reações institucionais, destacando a violência institucional, ação que já é histórica no Brasil: desde a dizimação dos índios, passando pela proclamação da República com um golpe militar e seguindo pela ditadura civil-militar. Por parte do Judiciário, ainda não temos uma resposta definitiva acerca da criminalização dos participantes dos movimentos. Por parte do Legislativo, destacam-se as leis aprovadas proibindo o uso de máscaras, o que é inconstitucional. Por parte do Executivo, houve algumas tentativas de diálogo, como a proposta de realização do plebiscito da reforma política e a criação de uma Câmara Restaurativa no Rio Grande do Sul, para abrir um canal de diálogo para discutir conflitos surgidos em razão da violência envolvendo agentes estatais.
Sobre as manifestações, Roberta destacou a situação dos policiais, que estão sob ordens de um comandante, mas muitos deles se identificam com a causa dos manifestantes. Ainda, colocou duas perspectivas sobre a violência interna: uma a favor da utilização de máscaras, que protegem os manifestantes da criminalização do Estado, e outra contrária, no sentido de que a violência dos manifestantes afugenta o público que seria amedrontado e, ainda, cria a legitimação para a violência institucional.
Dominic Barter falou sobre a Comunicação Não-Violenta e sobre sua experiência na greve dos garis do Rio de Janeiro. Não vou relatar esta parte, para incentivá-los a interpretar sozinhos. ;) Acho importante, entretanto, fazer algumas considerações iniciais sobre a Comunicação Não-Violenta.
A CNV é uma técnica de comunicação humanista, e talvez também uma filosofia de vida e uma estratégia de pacificação. Ela foi criada pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosemberg e visa criar a empatia entre as pessoas, resgatando suas emoções, valores e capacidade de se expressarem com honestidade.
Os quatro passos da CNV são: observar sem julgar a si e aos outros; identificar os sentimentos que são despertados em si e nos outros; identificar as necessidades que embasam esses sentimentos; e fazer o pedido, ou seja, falar ou agir de modo a atender as necessidades identificadas, expressando-as claramente.
Vou dar um exemplo. Minha mãe me acorda dizendo: "Acorda, preguiçosa!" As reações mais comuns são negar a acusação, concordar com ela ou acusar a outra pessoa (neste caso, eu poderia responder: "Controladora"). Pela CNV, eu poderia observar que ela está incomodada, identificar que ela precisa de ajuda, perceber quais são as necessidades que não estão sendo atendidas e então perguntar: "O que eu posso fazer pra te ajudar nesse momento?". Isso seria uma Comunicação Não-Violenta para Marshall.
E então, será que esta estratégia poderia ser utilizada em conflitos de massa? Sugiro que assistam o vídeo até o final para saberem a resposta do Dominic!
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