quinta-feira, 3 de julho de 2014

Diálogos sobre lutas e resistências: a ocupação como ato político

No dia 16 de junho, o Grupo de Assessoria Popular (GAP-SAJU) organizou uma roda de debates na ocupação da Faculdade de Direito da UFRGS com o tema "Diálogos sobre lutas e resistências: a ocupação como ato político".

 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

O evento contou com a participação de mais de 30 pessoas e durou duas horas. A primeira convidada a fazer colocações foi a Lúcia Tiethboel, nossa mestranda e militante do coletivo Defesa Pública da Alegria.
Lúcia refletiu sobre a formação dos movimentos sociais, que são a voz do povo sendo bradada, pois as instâncias deliberativas estão esvaziadas de representatividade. Lembrou do episódio do Tatu da Coca-Cola, que foi um protesto de jovens contra a privatização do espaço público e que foi duramente reprimido pela Brigada Militar. Dizia-se, na época, que para proteger o boneco inflável a polícia havia machucado os cidadãos.
Lúcia fez ainda uma análise sobre os modelos tradicionais de ocupação dos espaços: aqueles privados são utilizados para a moradia e para o trabalho, enquanto os públicos são de todos, e ao mesmo tempo, ocupados por ninguém (ou por muito poucos, como os moradores de rua). E se é de todos, por que abrir mão de utilizá-los? É no sentido de suscitar estas questões entre a população que o Defesa Pública da Alegria atua.
Em seguida, foi passada a palavra à Eduarda Pizarro, que contou sobre sua trajetória até ser acolhida pela Ocupação Saraí, que está em um prédio no centro de Porto Alegre desde outubro. Contou da rotina do grupo que mora lá e da solidariedade entre eles. Questionou a divisão do espaço nas cidades: por que os pobres não podem morar no Centro?
Thiago Luz, servidor da Câmara Municipal e um dos participantes do movimento de Ocupação daquele espaço no ano passado, fez uma diferenciação entre as ações que lutam pelo espaço público (como o Defesa Pública da Alegria), os movimentos de luta pela moradia (como a Saraí) e as ocupações de locais com função pública, como a Câmara e a Faculdade de Direito. Ainda que todos se utilizem da estratégia da permanência no espaço, a “ocupação” possuem finalidades, dificuldades e contextos próprios.
Foram lembrados, também, os movimentos quilombolas e indígenas, que lutam pela demarcação de terras que historicamente ocupam, mas que foram transformadas em propriedades privadas de terceiros.

Por fim, ingressamos na discussão acerca da criminalização dos movimentos, pela opinião pública, pela mídia, pela polícia e, em alguns casos, também pela Justiça. No caso do Direito, Alana dos Santos, do CAAR, relatou que a aceitação é bastante grande entre os estudantes e na opinião pública, mas que eles estavam recebendo fortes críticas por parte de alguns professores e da direção da Faculdade.

 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Fotos: Ramiro Furquim - Sul21

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