No
dia 16 de junho, o Grupo de Assessoria Popular (GAP-SAJU) organizou
uma roda de debates na ocupação da Faculdade de Direito da UFRGS
com o tema "Diálogos sobre lutas e resistências: a ocupação
como ato político".
O
evento contou com a participação de mais de 30 pessoas e durou duas
horas. A primeira convidada a fazer colocações foi a Lúcia
Tiethboel, nossa mestranda e militante do coletivo Defesa Pública da
Alegria.
Lúcia
refletiu sobre a formação dos movimentos sociais, que são a voz do
povo sendo bradada, pois as instâncias deliberativas estão
esvaziadas de representatividade. Lembrou do episódio do Tatu da
Coca-Cola, que foi um protesto de jovens contra a privatização do
espaço público e que foi duramente reprimido pela Brigada Militar.
Dizia-se, na época, que para proteger o boneco inflável a polícia
havia machucado os cidadãos.
Lúcia
fez ainda uma análise sobre os modelos tradicionais de ocupação
dos espaços: aqueles privados são utilizados para a moradia e para
o trabalho, enquanto os públicos são de todos, e ao mesmo tempo,
ocupados por ninguém (ou por muito poucos, como os moradores de
rua). E se é de todos, por que abrir mão de utilizá-los? É no
sentido de suscitar estas questões entre a população que o Defesa
Pública da Alegria atua.
Em
seguida, foi passada a palavra à Eduarda Pizarro, que contou sobre
sua trajetória até ser acolhida pela Ocupação Saraí, que está
em um prédio no centro de Porto Alegre desde outubro. Contou da
rotina do grupo que mora lá e da solidariedade entre eles.
Questionou a divisão do espaço nas cidades: por que os pobres não
podem morar no Centro?
Thiago
Luz, servidor da Câmara Municipal e um dos participantes do
movimento de Ocupação daquele espaço no ano passado, fez uma
diferenciação entre as ações que lutam pelo espaço público
(como o Defesa Pública da Alegria), os movimentos de luta pela
moradia (como a Saraí) e as ocupações de locais com função
pública, como a Câmara e a Faculdade de Direito. Ainda que todos se
utilizem da estratégia da permanência no espaço, a “ocupação”
possuem finalidades, dificuldades e contextos próprios.
Foram
lembrados, também, os movimentos quilombolas e indígenas, que lutam
pela demarcação de terras que historicamente ocupam, mas que foram
transformadas em propriedades privadas de terceiros.
Por
fim, ingressamos na discussão acerca da criminalização dos
movimentos, pela opinião pública, pela mídia, pela polícia e, em
alguns casos, também pela Justiça. No caso do Direito, Alana dos
Santos, do CAAR, relatou que a aceitação é bastante grande entre
os estudantes e na opinião pública, mas que eles estavam recebendo
fortes críticas por parte de alguns professores e da direção da
Faculdade.
| Fotos: Ramiro Furquim - Sul21 |
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